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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

EXÉQUIAS



Ela caminhava com olhar na incerteza, impávida!
Sozinha na tristeza, sua cor lívida, sua tez lúrida!
Sua vida vazia, em negro cárcere de frustração!
Dedicou tempo ao coração, mas sempre em vão!

Enquanto perdia o amor, também morria linda flor!
A dinâmica da vida trouxe desenganos e desamor!
Perdeu todas suas pétalas! Leonor perdeu alegria,
perdeu tanto, que a natureza não reteve energia!

Hoje pêsames, consternação, desalento, lamento!
Cantemos um réquiem, um hino de culto e louvor!
Saudade já toma conta, nos resta verter lágrimas!

Ah! Quanto tempo! Tão de repente e num momento,
a natureza perdeu bela flor, Leonor sucumbiu à dor!
A vida perdeu Leonor! Nas exéquias, dor foi máxima!

Torrinha, 18/05/1968 - original
Foz do Iguaçu, 30/12/2013 - editado
Publicado no www.delynerso.blogspot.com em 02/01/2014
Publicado no Recanto das Letras em 30/12/2013

http://www.recantodasletras.com.br/autores/nelmite

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

GAROTO 1



Menino, no bolso estilingue,
inocente ainda não distingue
o bem do mal, isso é normal!

Também o certo do torto!
Sem teto certo, sem conforto,
vive num barraco num barranco!

É o engraxate lá da praça!
Sorriso branco, limpa com graça,
de graça, os sapatos com graxa,
cantando e batendo na caixa!

Engraxa cantando seu refrão!
De vez em quando sem medo,
bate na caixa os nós dos dedos!

Enquanto engraxa, canta:
pois é, ver o que é o samba
e não sambar com presteza
com certeza não é bamba.

Torrinha, 23/11/1966
Publicado no Recanto das Letras em 10/07/2013

GAROTO 2




Indriso 1
Menino, no bolso estilingue,
inocente, ainda não distingue
o bem do mal, isso é normal!

Sempre mal vestido e pálido!

Sem sapato, mas de havaiana,
sai pra mais um fim de semana!
Mesma rotina, isso é normal!

Situação de cidadania, esquálido!

Indriso 2 

Menino com o seu magote,
gangue de mascotes engraxates,
vão driblando igual Sócrates! 

Jogam bola na aula do negrão!

Menino joga e canta contente!
Abre o peito, solta a voz, e valente
canta o samba do mestre Vicente!

Brincar sim, mas estudo é obrigação!

Indriso 3
Menino e sua leva, sua caterva,
respeitavam as ordens do mestre,
ora um era titular, ora era reserva!

Bom exemplo, recebe-se e conserva!

Menino aprendeu jogar futebol,
e no jogo da vida um lugar ao sol!
Foram ensinamentos do Vicente!

Regras que tatuaram na mente!

Indriso 4
Negrão Vicente, dono de sapataria!
Negrão Vicente, dono da alegria!
Negão Vicente, dono da simpatia!

Mestre do futebol e do couro!

Eis, o refrão do samba do Negrão:
Driblar e sambar com presteza,
joga-se bem e é bamba com certeza!

Para Torrinha, Negrão é nosso ouro!

Torrinha, 28/12/1966 (Original)
Foz do Iguaçu, 10/07/2013 (Atualizado)
Publicado no Recanto das Letras em 10/07/2013

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

DEIXA UMA POESIA



Quanto acre é um pranto, cobre a melancolia
de uma velha e triste canção de choro e morte.
Deixa deslindando a tristeza, por um momento!
Deixa a rijeza com clareza, deixa uma poesia
em um velho, cansado e pobre coração inerte,
com dor sofrida na vida de um dado tempo!

Quanto belo é um amor feliz, traz uma alegria
profunda do fundo do peito com mais esperança.
Leva encobrindo a tristeza, mais que de repente!
Deixa a certeza da beleza que deixa uma poesia
em um novo, disposto e rico coração de criança,
com amor na vida revivida para todo o sempre!

Torrinha, 29/07/1969
Publicado no Recanto das Letras em 24/11/2013

SEQUELAS






A engenharia dá a maior contribuição
para o avanço, enorme, da tecnologia!

Notes, tablets, celulares ou similares
é que dão as cartas e criam hábitos,
que a ganância capitalista requer!

A indústria tecnológica sequer
está preocupada com o mal que vier!
E virão mazelas que trarão sequelas!

Diante de tanta inovação e de telas,
todos ficaram fanáticos e estáticos!

Não se conversa mais, só mensagem!
Solitários dentro da própria paisagem!

Inovação envolvente e consistente!
Juntos, mas separados! Proeminente!

Patente, o mundo perdeu a união!
Se é que ela existiu! Acho que não!

Já houve duas guerras mundiais!
Na corrente, o elo já não é resistente!
Reação, libera calor e inimizade!

Dois elementos químicos quaisquer,
Dois times de futebol quaisquer,
Duas nações com interesses quaisquer,
nem sempre esses confrontos geram união!
Fissão ou fusão não geram paz! Pura ilusão!

Hoje jardineiros já pisam sobre toda flor,
hoje cancioneiros não cantam sobre o amor,
hoje a união estável supera o casamento!
São ainda situações que estão em andamento!

Faça tudo que o mundo atual oferece,
faça tudo que puder e quiser! Não se apresse!

Mas por favor e por amor, não destrua
com a inovação, a terra sua, nua e crua!

Saibam que Deus, um Grande Coração,
a criou, em seis dias e com perfeição,
e, colocou a paz e o amor em sua mão!!

A inovação continua em franca criação!
O homem continua com o dom da destruição!

Botucatu, 18/07/1969 (Elaborado)
Foz do Iguaçu, 27/08/2012  (Corrigido e atualizado)

Interação do recantista Tito Baruc:
Li há alguns anos, não me recordo onde, um pensamento interessante: Os únicos organismos no planeta tão estúpidos a ponto de destruir o sistema do qual dependem para sobreviver são o câncer e o homem.

MÁ COMPANHIA



Saiu à procura, pela noite escura,
de uma pequena aventura!

Pelo seu caminho, encontrou um descaminho,
encontrou uma tranqueira, e fez sua parceira!

Pela areia, pela praia seguiram viagem,
só fizeram coisa errada e toda sorte de malandragem!

De passagem pela bobeira, soltaram o elo, a corrente;
soltaram o bom senso, tornaram-se sonsos e indolentes
pra viver pra morrer!

Todo castelo que na areia da praia de sua vida
construiu, seu amigo ruiu! Ela construía, seu amigo destruía!

Está agora ao Deus dará, presa no escuro e sem futuro!
Um filho pequerrucho, outro no bucho
e o novo amante tem outro no cartucho!

Aprendeu muito tarde, que amor sem amor, arde!
Que má companhia é a morte da alegria!
Bom no início e depois, é sempre o fim dos dois!

Torrinha, 10/04/ 1966
Publicado no Recanto das Letras em 03/12/2013

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

EXÉQUIAS DE LEONOR - (Publicado no RL como EXÉQUIAS)



Leonor caminhava na incerteza, com olhar gélido!
Sozinha na tristeza, sua cor lívida, sua tez lúrida!
Sua vida vazia, em negro cárcere de frustração!
Dedicou tempo ao coração, mas sempre em vão!

Enquanto perdia o amor, também morria linda flor!
A dinâmica da vida trouxe desenganos e desamor!
Perdeu todas suas pétalas! Leonor perdeu alegria,
perdeu tanto, que a natureza não reteve energia!

Hoje pêsames, consternação, desalento, lamento!
Cantemos um réquiem, um hino de culto e louvor!
Saudade já toma conta, nos resta verter lágrimas!

Ah! Quanto tempo! Tão de repente e num momento,
a natureza perdeu bela flor, Leonor sucumbiu à dor!
A vida perdeu Leonor, nas exéquias a tez era pálida!

Torrinha, 18/05/1968 - original
Foz do Iguaçu, 30/12/2013 - editado
Publicado no www.delynerso.blogspot.com em 30/12/2013
Publicado no Recanto das Letras em 30/12/2013 como EXÉQUIAS

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

NOITE




(É NOITE AINDA)

Noite!
Noite criança,
meu olhar se cansa,
sem esperança!

Noite menina,
lua argentina!
Noite e meia,
lua cheia
coloca suas cores
pela areia!
O mar afoga
meus amores!

Noite, lua...
Flores e seus perfumes...
A vida e seus costumes...

Noite,
noite linda,
noite bem-vinda...

É noite ainda!

Torrinha, 19/05/1968 - Original
Foz do Iguaçu, 21/08/2012 - rascunho
Publicado no www.delynerso.blogspot.com em 19/01/2014
Publicado no Recanto das Letras em 19/01/2014
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

DESPREZO

 
Você, então, me virou as costas,
não me deu nenhuma resposta,
me tratou como um monte de bosta!

Você me maltratou, me machucou,
não me deu valor, me desvalorizou,
me tratou como um monte de cocô!

Você me via como um zero à esquerda!
Como um inseguro, que só tinha perda!
Você me via como um monte de merda!

Sucesso nunca! Derrota se presume!
Biografia fracassada não se resume!
Você me via como monte de estrume!

Deixe estar! Crescerei num momento
qualquer! Mostrarei um crescimento,
deixando aos seus pés meu excremento!

Você é droga, é abjeta e desprezível!
Não serve pra adubo e isso é crível!
Agora deixei de ser afável e aprazível!

Você continua igual, eu noutro mergulho!
Cresci, me graduei, doutor com orgulho!
Seu desprezo, devolvo como entulho!
Na verdade, é um presente sem embrulho!

Torrinha, 12/10/1967 (Início)
Botucatu, 22/12/1992 (Final-Revisão)
Publicado no Recanto das Letras em 25/06/2013

quarta-feira, 6 de junho de 2012

NOTICIÁRIO 1968 COM HUMOR


 
 
NOTICIÁRIO 1968, COM HUMOR SE NÃO FOSSE TRÁGICO EM ALGUNS MOMENTOS...

Dois minutos para grandes notícias:
Notícias daqui e dali,
também tem notícias do Brasil,
de São Paulo e do Rio,
e outras não menos sensacionais
das demais capitais.
Notícias Nacionais - um minuto!
Meu pai está rouco,
bem, isto não lhe interessa.
Rockfeller diz que seu dinheiro está pouco...
Pronto, esse homem agora vem com essa...
1968, Martha Vasconcellos, Miss Brazil, Miami.
She is, Ela is Elis, la révélation du Midem 1968!
Opa! Quer dizer Upa Neguinho!
Waw! Tem Martin Luther King!
Mundo bom!
Xi, tem assassinato!
Mundo ruim!
Muito ruim!
Ruindade não tem fim!
Rio:
Roubaram mais um banco
em Copacabana...
O ladrão era manco,
todo mundo achou bacana...
Polícia mais notícia...
Com grande perícia
o Zé investigador
encontrou El Matador...
Sergipe:
Para ser cidadão, não ser jipe,
não nasça ferro...
Ao tapa de qualquer doutor,
sinta dor e dê seu 1º berro.
Do grande avião que foi sequestrado,
pra Cuba foi levado,
desceu perto pro por gasolina,
é o que se imagina.
São Paulo:
Raptada uma menina feminina,
sabe-se que ela tinha fome
e nem sabe-se seu nome,
pois o ladrão não falou nada,
pegou-a e saiu em disparada...
Ele não deu entrevista pra imprensa,
pois achou que não compensa
e não iria ganhar recompensa...
Além de uns anos na cadeia
a sua agenda estava cheia,
só parou num boteco de esquina,
ele e a menina,
pra comprar mortadela,
pra matar sua fome e a dela.
Santa Catarina:
Uma velhinha semi-nua,
saiu pela porta,
saiu pra rua...
Sua perna era torta,
mostrava os pelos
e em apelos
chamava pelo Zé Machão
dono do seu coração...
Brasil:
De uma maneira geral,
aqui já teve carnaval,
mas já teve sal e sol
e espera-se na terra
do samba e futebol
que seja tri-campeão
em 1970, se tenta!
De todo coração
que seja campeão
e não entre pelo cano.
Que não seja engano!
Coisa dura, a dita está dura!
A lida está dura!
País tropical da Tropicália!
Revista Cruzeiro, pra todo mundo!
Pasquim pra mim!
Censura, tortura...
Calabar...Roda Viva...
Sem auxílio...Exílio!

Zuzu Angel, não achou seu filho...
Um minuto para comercial:
:Sensacional,
use tanga Amazonas índio Trual.
:Use bom perfume,
use co-estrume,
tenha bom costume.
:Use Portugal tamanco.
Aviso: só se vende o par
quem é manco
não pode usar.
:Se você é perneta
compre Athanázio muleta.
:Tome boa pedida
cada xícara, uma caída.
:Use sandália e navalha,
legítima marca Alitália.
Notícia cinematográfica:
O filme cujo título
" Porque não amanhã?"
Ainda não foi filmado.
Encontra-se parado,
isto porque os artistas,
que são ladinos,
(Que meninos!),
estão ganhando sem filmar.
O diretor e o vice-diretor,
qual trabalhador?
Dizem: vamos começar?
Respondem os artistas a cantar:
Porque não amanhã?
E sempre deixam pra amanhã!
Esse filme deveria se chamar:
"Porque não ontem?"
Assim já teriam terminado.
Notícia Internacional:
Reino Unido tem Beatles,
mundo inteiro ouve!
Quem tem ouvidos, ouça!
Que houve com a Globo?
Quem ouve a Globo, tem
MCs, Popozuda (Boa)
Calypso, Quiboa e bem...
Que saudade dos festivais
da Record que era recorde!
Portugal:
Notícia em geral
do interior e da capital,
não tem notícia.
Comercial:
Funerária Assim
a serviço do seu fim.
Lamentamos dizer de novo
pra todo o povo
que não houve morte na região.
Compre já seu caixão,
prepare já pra sua morte,
compre caixão,
madeira fraca ou forte,
é ao seu critério,
tanto faz,
pois você vai ao cemitério
e não volta jamais.
Notícia:
Ai, fôlegos meus!
Acabaram-se as notícias!
Graças a Deus!
Gratos, ouvintes e macacada,
pela atenção desviada
e amanhã à mesma hora,
que hoje igual a de agora,
estaremos aqui de novo
pra azar do povo.
Uma boa, puxa que pernas!
Isto é, boa paz!
Eu vou e não encho mais!
Tchau,
cara de pau!
Tele-espectador,
sinta até amanhã muito calor!

Torrinha, 09/12/1968
Torrinha, 08/02/1970 (Correção)

Foz do Iguaçu, 11/07/2014
Publicado no www.delynerso.blogspot.com em 14/07/2014
Publicado no Recanto das Letras em 14/07/2014
http://www.recantodasletras.com.br/autores/nelmite
http://www.recantodasletras.com.br/autores/noslen ariexiet
NELSON TEIXEIRA

segunda-feira, 4 de junho de 2012

FIQUE COM DEUS

 
Marilena,
dá-me dó,
só sinto pena,
de você tão só.

Pra que não fique só,
fique com Deus!
A fé, é crédito!
Deus retribui o mérito!

Torrinha, 15/03/1967
Publicado no Recanto das Letras em 07/08/2013

segunda-feira, 12 de março de 2012

UTOPIA

 
 

Coisas simples, de grande importância,
que meu olhar abalizador as alcança!
Tarde morrendo! Noite! Brisa mansa!
No ar um pássaro voa, canta e dança!

Na calçada uma cadeira de balanço...
Um idoso deleita-se nela em descanso,
contando história para uma criança
que tem nos negros cabelos uma trança.

Ele de cor preta e ela de cor branca!
Ele já velho e ela ainda uma criança!
Os dois formam um elo, uma aliança!
A desigualdade é impulso, é alavanca!

Para ele e para ela, não há diferença
de cor, de raça, de idade ou de crença
que justifique o preconceito! Avença!

Pra ela, ouvir o causo dele é recompensa!
Pra ele, atenção dela é galardão! Pensa!
Pra ele, beijo de despedida é compensa!

Sonhamos todos com olhar de criança!
Eu e Lennon contamos com esperança
que todos farão parte deste todo! Ânsia!

Que se formará neste velho mundo colosso
a paridade, todos iguais em carne e osso!
Haveria paz e não a expectativa de horror!

Um terror ter uma terceira guerra mundial!
Isso, nada bom! Isso é mau, faz muito mal!
Hoje, na verdade, o que meu olhar alcança,
é de medo, fico quedo e sem confiança!

Torrinha,25/10/1969
Publicado no Recanto das Letras em 26/08/2013

domingo, 11 de março de 2012

ADVERTÊNCIA

    


Quem tiver bom juízo
na sua vida cotidiana,
vai deixar o prejuízo
pra ganhar muita grana!

Morar no pé do morro,
trocar crack pelo fruto,
acudir por um socorro,
ser esperto e astuto!

Vai brother e irmão,
a loteria é peixe menor!
De peixe a ser tubarão,
deve crescer pelo suor!

Deve vencer pela luta,
ter mudança de conduta!
Para ser primo no pódio,
vença cada episódio!

Não bancar o ricaço,
é o lema que dá certo!
Labutar sem cansaço,
para tornar-se experto!

Não arrotar peito de peru
se fartou-se de mortadela!
Ganhe com o suor, o tutu 
relacionado a cada parcela!

Torrinha, 23/09/1968
Publicado no Recanto das Letras em 25/08/2013