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quinta-feira, 20 de junho de 2013

ONDE? AONDE?



ONDE? AONDE?

Eu ando pela nua rua,
cuja escuridão insinua,
que guri nunca recua
diante da lei nua e crua!

No céu a esperteza
bela e branca da lua,
ilumina o chão, pactua
influenciando a natureza!

Eu estou sem serviço,
a zero, sem compromisso,
sem relógio, sem patrão!
Senhor do meu coração!

Senhor das minhas horas,
estou eu indo embora,
à procura de alegria,
à procura de companhia!

A ventura é de onde?
Aventura vai aonde?
eu ando,só, pela rua,
só eu e o quarto de lua!

Botucatu, 02/03/1992
Publicado no Recanto das Letras em 21/06/2013

terça-feira, 9 de outubro de 2012

ALVORADA


Alvorada! Iluminada!
Chilrear da madrugada!
Gorjeios, é a matinada!

Alguns, já não dormem!
Alguns, ainda não dormem!

Comem-se! Consomem-se!
Sem pressa, com fome!
Encontro dos sem nomes!

Há quem tenha o corpo na luta,
na conduta, na disputa
e n'alma de prostituta!

Mas, ela é diferente!
Ela é diligente! Zelosa!
Mas muito fogosa!

Amam-se à noite!
Amam-se no silêncio!

Boêmios e insones!
Silêncio! Notívagos!

Dormem em concha!
Traição faz sua ronda!

Sonham! É uma onda!
Afronta! Pratica-se a monda! 

Botucatu, 22/05/1998
Publicado no Recanto das Letras em 21/10/2013

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ETIQUETAS



Licença, desculpe e muito obrigado,
além de bom tom, mostra educação.
São etiquetas de muito bom grado,
maneiras que foram, são e que serão!

Em toda cultura, era e é conveniente
lembrar o que foi bom no passado!
É de bom alvitre trazer ao presente,
visitando o que de lá foi deixado!

Essa três palavras caíram em desuso!
Não se dá mais preferência ao idoso,
hoje a etiqueta ou mania é o abuso!

Hoje, tem-se vergonha de ser honesto!
Impera ruidoso, iroso, ocioso e cobiçoso!
A raridade é achar um homem modesto!

Foz do Iguaçu, 04/09/1997
Publicado no Recanto das Letras em 03/06/2013

terça-feira, 2 de outubro de 2012

SEGREDO de PULHA (CANALHA)


És vulto no teu culto,
és a chave, pin secreto
ou senha do amor objeto,
do teu segredo oculto!

És amante bem constante,
que a todo tempo incessante,
esperto pra apaniguar o amor
que te confiaram como tutor!

Hoje então, tens duas firmas,
uma é matriz, a outra é filial!
Imputas valor maior a não oficial!
A retribuição carnal se confirma!

Matriz e filial!
Atriz e filial!
Por um triz é fatal!
Força motriz total!

A filial empina nariz!
A matriz é cerviz!
Essa, é tua raiz!
Ela é joliz!

Achas que és feliz!
Capacho, és infeliz!
Cara de tacho!
Apaga teu facho!

Extingue a fagulha!
Verme e pulha!
Malandro, safardana!
Trocas dama por ratazana!

Botucatu, 02/10/1998
Publicado no Recanto das Letras em 05/11/2013

sábado, 1 de setembro de 2012

PROCURA DO AMOR



Vou deixar de lado a agonia,
o medo, a dor e a profecia!

Vou procurar o amor,
pois sei que há o amor!

A chuva de tanto tempo, tanto
que acostumou meus olhos ao pranto!

A chuva é ácida e no entanto
não florescem as flores!

As flores são sonhadas e desejadas
e no meu jardim não há vida!

Só vi a tristeza, de sonho, tresloucada
deslocada ao longo da estrada!

A estrada recoberta de matos e pedras
ficou intransitável e pontes em quedas!

Perdido, meu viver viu o anoitecer,
mas minha coragem faz acontecer!

A brisa que avisa, secou a lágrima
e levou a chuva pra outro lugar!

Estou animado, disposto com calor
pra queimar energia procurando o amor!

Botucatu, 10/10/1998
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2013

SONHAR É PRECISO!



Ah! Meu olhar se perde e se cansa,
à procura da felicidade e bondade!
Na tortura da distância e saudade,
vivo a expectativa de esperança!

Vou envelhecendo, sem guarida!
Vou morrendo, luto sem refúgio!
Pela minha vida sem subterfúgio
procuro sem descanso uma saída!

Meu violão triste procura canção!
Ah! Essa procura não será em vão!
A bondade e a felicidade existem?

Olho e não vejo! Vivo sem alegria!
Sonho e desejo encontrar a poesia!
Compositor e poeta não desistem!

Botucatu, 30/07/1990
Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2013

terça-feira, 28 de agosto de 2012

ONDE?



ONDE?

A lua lança sua cor argentina
pelo meu caminho, estou só!
Lanço confete e serpentina,
choro sozinho, digno de dó!

A saudade era minha vizinha,
o amor nunca me vinha!
Hoje a solidão me acompanha,
jogo a toalha, quem apanha!?

A vida passa e passa o tempo!
Andar é meu único passatempo!
Procurando o que se esconde,
cansa! Então, o amor está onde?

Encontro um éden, um jardim
repleto de flores e amores,
que enfeita e sorri para mim!
A vida cinza torna-se em cores!

Dentre todas as multi flores,
destaca-se a espécie mais bela!
Cattleya, seu perfume e cores
me solta da tristeza, minha cela!

A melancolia que já se finda
dá lugar à alegria de repente!
Ela é bem vinda! Tudo se brinda!
Minha flor, meu amor pra sempre!

Botucatu, 02/03/1992
Publicado no Recanto das Letras em 21/06/2013

VOU TENTAR




Não sou de ninguém, sou o que sou!
Meu sangue eu não dou, eu dôo,
estou dentro de mim somente!

Vou tentar de maneira franca,
ensinar mais, cada vez mais,
doutrina, paz, bandeira branca!

Exteriorizo o que está dentro de mim!
Levo minha teoria como alavanca!
Sigo dentro do meu eu, assim!

Sigo pelo caminho meu,
com a minha crença
desde que eu era criança!

Sigo com todo ardor,
somente com o amor
meu e o amor de Deus!

Salve! Salve! Nada se encerra!
Salve a flor desta Terra!
Salve o amor desta Terra!

Vivo para consertar!
Vou tentar encerrar
o frio desta guerra!

Sonho encerrar esta triste guerra
de Nação contra Nação,
de irmão contra irmão!

Vou tentar unir coração a coração,
mesmo sabendo, sim e não,
que pode ser sermão em vão!

Botucatu, 01/02/1992 - original
Foz do Iguaçu, 04/01/2014
Publicado no www.delynerso.blogspot.com em 04/01/2014
Publicado no Recanto das Letras em 04/01/2014

http://www.recantodasletras.com.br/autores/nelmite

http://www.delynerso.blogspot.com

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ESSE CARA



Esse cara sem cara,
de um rosto anda atrás!
De apelido Cem,
de objetivo cem ou mais!

Esse cara é um perigo,
de inimigo anda atrás!
Já furou cem,
ainda furará mais!

Esse cara é ninguém,
de alguém corre atrás!
Já furou cem,
ainda furará mais!

Esse cara é sofredor,
de amor corre atrás!
Só encontrou dissabor,
ainda encontrará mais!

Esse cara só quer mulher,
de saia corre atrás!
Já rompeu cem,
ainda furará mais!

Esse cara só quer paz,
de liberdade corre atrás!
Já fugiu cem,
ainda fugirá mais!

Esse cara agora tem paz,
na sua lápide, aqui jaz!
O mundo ficou sem
o cognominado Cem!

Botucatu, 03/08/1991(Original publicado)
Foz do Iguaçu, 17/08/2012 (Revisado)
Publicado no Recanto das Letras em 27/06/2013

terça-feira, 14 de agosto de 2012

AMÁLIA


Amália,
até furou a sandália
de tanto arrastá-la!
Novo dia chegou,
e a noite inteira
ela só sambou!

Amália,
eu não acho minha navalha,
ajuda-me achá-la,
logo tenho que ir ao trabalho
e preciso me arrumar!

Amália,
sua resistência é hercúlea,
sua insistência é demais
e logo mais, você também
tem que trabalhar!


Por favor minha nega,
vamos nos poupar um pouco,
porque daqui a pouco,
temos que trabalhar,
e estamos sem descansar!

Botucatu, 04/05/1991
Publicado no Recanto das Letras em 26/07/2013

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ISSO É CANÇÃO



Há sonho que é crível!
Há sonho que é verossímil!
Há sonho que é plausível!
Há sonho que é provável!

Há pesadelo que é incrível!
Há pesadelo que é inverossímil!
Há pesadelo que é inadmissível!
Há pesadelo que é improvável!

Há sonhos que se tornam reais,
alegria para nosso coração!
Há sonhos que são surreais,
só estão na imaginação!
Há sonhos que são irreais,
graças a Deus que sim, não?

Estou sonhando de dia!
Tristeza não existe mais!
Meu tesouro, meu coração,
para minha muita alegria,
nunca chorou jamais!
Isso é canção!

O sonho perdeu-se no ar,
a tristeza perdeu-se a voar!
Depois que o mundo,
começou a amar,
só existem bons sonhos!
Isso é canção!
Isso, só pode ser sonho!

Botucatu, 02/03/1991
Publicado no Recanto das Letras em 25/06/2013

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O MORRO DANÇA


















Carnaval agitou-se,
o povo enamorou-se
do meu samba enredo!
Eu e a morena, sem segredo,
dançando sem medo,
animava nossa ala,
ao lado do mestre sala!

O asfalto da avenida
é o nosso tapete de desfile,
onde desfila rico e exile,
todos sorrindo feliz da vida!
O desfile é nossa parada,
onde demonstramos amor,
alegria, paz, talento e ardor!

A voz de socorro vem do morro!
No morro tem samba, bamba e excluído!
Queremos separar o joio do trigo!
Queremos deixar apenas uma tribo!
Queremos para o carnaval de amanhã,
aqueles que obedecem a lei única do clã,
que é, trabalhar em paz pra família e sambar!
Nosso samba enredo é nossa biografia exemplar!
O morro é nosso corpo e o samba nosso sangue!
Pasme, mas não se zangue, nossa gangue
dança obstinada até ficar exangue!

Botucatu, 10/10/1992
Publicado no Recanto das Letras em 10/09/2013

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

DESPREZO

 
Você, então, me virou as costas,
não me deu nenhuma resposta,
me tratou como um monte de bosta!

Você me maltratou, me machucou,
não me deu valor, me desvalorizou,
me tratou como um monte de cocô!

Você me via como um zero à esquerda!
Como um inseguro, que só tinha perda!
Você me via como um monte de merda!

Sucesso nunca! Derrota se presume!
Biografia fracassada não se resume!
Você me via como monte de estrume!

Deixe estar! Crescerei num momento
qualquer! Mostrarei um crescimento,
deixando aos seus pés meu excremento!

Você é droga, é abjeta e desprezível!
Não serve pra adubo e isso é crível!
Agora deixei de ser afável e aprazível!

Você continua igual, eu noutro mergulho!
Cresci, me graduei, doutor com orgulho!
Seu desprezo, devolvo como entulho!
Na verdade, é um presente sem embrulho!

Torrinha, 12/10/1967 (Início)
Botucatu, 22/12/1992 (Final-Revisão)
Publicado no Recanto das Letras em 25/06/2013

domingo, 10 de junho de 2012

CARICATURA DO METIDO (A)




Situação cômica, parece piada,
mas tem gente que é engraçada,
faz um tremendo auê e uma festa
na passagem de seu aniversário!

Manda convite até pra quem detesta...
Isso não é o pior, conto o melhor...
Às vezes, o fulano é pobre operário,
e com a festa gasta todo seu salário!

Inda bem que é só uma vez por ano,
que esse pobre otário entra pelo cano!
E tem mais um porém, no outro dia
a candinha zoa ele com toda energia!

Próximo ano, outra festa de aniversário!
Repete-se tudo! Mesmo comportamento!
A língua do fofoqueiro é seu instrumento!
A inveja é  de conterrâneo adversário!

P.S.: Êh, gente! Vida social! Eca!

Torrinha, 23/09/1995
Publicado no Recanto das Letras em 29/06/2013

segunda-feira, 30 de abril de 2012

YELENA ISINBAYEVA

 
Yelena se assemelha,
à rosa vermelha!
Yelena é mais bela
que a rosa amarela!
Yelena é mais franca
que a rosa branca!
Yelena é mais rosa
que a própria rosa!
Yelena é mais atleta,
sendo a predileta!
Yelena se supera,
recorde é quimera!
Yelena é preferida,
é flor mais querida!
Yelena é obstinada,
adversária é nada!
Yelena é abnegada,
altruísta e dedicada!
Yelena é recordista,
do salto é artista!

Botucatu, 30/10/1996
Publicado no Recanto das Letras em 03/08/2013

segunda-feira, 23 de abril de 2012

BAIXINHO INVOCADO

    

Há servidor, que se presta
em ser pessoa honesta!
É fantástico, é mítico!

Há servidor que empresta
sua honra e se manifesta!
É lunático, é político!

Minha biografia completa:
Cabeça careca repleta
de neurônios idôneos,
de classe seleta!

Tronco pequeno e torto
e membros superiores
para abraço e conforto,
e inferiores, joga mal
e pronto: ponto final!

Eu sou do FBI! De carteirinha, associado!
Sou da Federação de Baixinho Invocado!

Sou briguento e não aguento
esse negócio de recados!
Não passo recados pra ninguém,
porque já inventaram fone e correio
pra esse serviço.
Não sou pedaço e nem meio,
nem aquilo, nem isso.
Sou baixinho, sou invocado!
Cuidado, muito cuidado!

Botucatu, 05/05/1995
Publicado no Recanto das Letras em 10/09/2013

sábado, 21 de abril de 2012

O BAR, MEU LAR

  
 
A lua brincava 
de esconde-esconde
com as nuvens lá no céu.
Eu, pela rua passeava,
num velho bonde,
procurando a lua lá no céu.

Maltrapilho filho
de um estivador,
sou boêmio e cantor,
conhecido e querido,
da madrugada paulista.
Sou um pobre artista!

Meus lugares os bares,
onde fico a cantar.
Cantar pra esquecer!
Hei, Juliana!
Morro toda semana!
Amor morte lenta,
a saudade aumenta!
Hei, Juliana!

Meu itinerário, meu horário,
o bar, meu único lar!
Noite, vento e orvalho,
violão, bebida e o bar!

Botucatu, 19/09/1991
Publicado no Recanto das Letras em 01/09/2013

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

TRAÇOS


Efêmero caso, meros traços,
esperei a volta dos teus braços,
sem abraços, só consegui cansaço!

Não consegui seguir seus passos,
fiquei presa em meros laços,
só segui espaço pro embaraço!

Sem você minha amiga amada,
fico sem norte na caminhada,
motivo pra ficar na estrada!

Sem você minha amada amiga
eu nada consigo, vivo em fadiga,
vivo só, só em depressão antiga!

Passos de dor, passos e traços de amor!
Coisas pelo tempo velhas e amarelecidas,
fotos de momentos felizes de nossas vidas!

Céu azul, o luar, você, o brilho e o amor,
vestido azul e teus olhos da mesma cor,
são traços que restaram de união falida!

Botucatu, out/1992
Publicado no Recanto das Letras em 01/07/2013

sábado, 3 de dezembro de 2011

VENTO



Ó vento,
que levou as folhas caídas,
pelo tempo amarelecidas!

Ó vento,
que varreu com certeza o chão!

Em algum momento,
o vento levou todos meus sonhos,
ando hoje por caminhos tristonhos,
trazendo incertezas no coração!

Ó vento,
estou sem alento ou guarida,
andando só pela vida,
cantando minha tristeza em canção!

Momento de oração!
Ó vento que leva e traz,
leve a saudade, deixe a paz,
já que em vão, espero na solidão!

Botucatu,01/02/1991
Publicado no Recanto das Letras em 22/07/2013